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Psicologia

 

Miscelânea do psicólogo

Paulo Rogério da Motta

 

O mundo PSI do Euniverso


 


Contribuições de Freud à psicoterapia de grupo

 

Freud ao demonstrar o dinamismo do mundo interno de cada um, onde uma grande população de personagens personifica os desejos reprimidos, coloca-nos diante da constatação de que, mesmo quando estamos sozinhos, agimos psiquicamente em grupo. Tal afirmação de Freud mostra-nos que não são contrárias nem contraditórias a psicologia individual e a psicologia das massas, pois o indivíduo no correr de sua vida está sempre se relacionando, seja com um personagem do seu mundo psíquico, seja com o “outro” no mundo objetivo. Diante da imensa população psíquica que existe em cada um de nós, a psicanálise freudiana acaba por ser um instrumento de afinidade natural com os processos que envolvem os grupos, pois o entendimento do psiquismo de um indivíduo serve como referência para o entendimento do funcionamento de um grupo. Sendo também os grupos, na visão de Freud, um agente que potencializa os impulsos mentais de um indivíduo, configura-se além da afinidade mencionada, uma inter-relação constante e dinâmica do indivíduo com o outro, tanto objetiva quanto subjetivamente e tais características da psicanálise fazem com que ela seja viável para o entendimento do que é social, servindo como exemplo a diversidade existente em um grupo terapêutico e a diversidade existente no psiquismo de cada indivíduo, onde a psicologia que estuda a diversidade de um grupo sendo chamada de psicologia social e a que estuda a diversidade dos personagens no psiquismo de um indivíduo de psicologia individual, porém, em ambas a ferramenta de estudo pode ser a psicanálise de Freud. Frente a este entendimento, as idéias de Freud atendem tanto a demanda de um indivíduo (psicoterapia individual) quanto a demanda de uma sociedade (psicoterapia de grupo).

Freud ao colocar nas primeiras relações do indivíduo um papel determinante na formação de sua personalidade, faz do social um agente formador e transformador, pois a origem de qualquer conteúdo psíquico que ele for adquirindo através de suas experiências na vida terá como origem as relações iniciais dele com sua família, e a família é um grupo, deduzindo-se então que tudo o que o sujeito aprende e apreende vem do grupo em que está inserido. A importância que Freud dá à essas primeiras relações do indivíduo com a sua família denotam a essencialidade do grupo na vida de um indivíduo e se o indivíduo forma-se e transforma-se a partir de suas relações com os grupos ao qual pertence é possível afirmar que também os grupos espelham o indivíduo, ou seja, assim como o grupo é agente sobre o indivíduo, igualmente também o indivíduo é agente sobre o grupo.

Freud ao estabelecer que o sujeito aprende o que é amor, desejo, repressão e ódio nas suas primeiras relações com seus pais enfatiza o papel do outro e, a partir do entendimento do que ocorre com o indivíduo, passa também a entender o outro que age sobre o indivíduo, e isto faz com que as idéias de Freud sejam algo que se aplica a um indivíduo e, ao mesmo tempo, algo que permite-nos compreender as relações deste indivíduo com seu grupo, e isto é “social”.  A formação do Ego e do Superego são baseadas nas relações sociais do sujeito, portanto, entender a formação do aparelho psíquico de um indivíduo propicia também entender a atuação do meio sobre este indivíduo, e assim na teoria de Freud ao se entender o indivíduo é possível também entender naturalmente o grupo a que pertence. Assim sendo, Freud ao descrever suas idéias e conceitos para o entendimento do indivíduo acabou por também por mostrar, natural e consequentemente, os processos que envolvem os grupos e, ao criar a psicanálise com fins de atender individualmente cada pessoa, acabou por contribuir com a criação da psicoterapia de grupo, pois é indissociável indivíduo e grupo e não é possível se entender um sem a presença do outro.

(Paulo Rogério da Motta - 2008)